

"Isso é só publicidade, é uma polêmica estúpida, cada um diz o que quer, é um país livre. A senhora não fala de Deus aqui sem problema? Então por que outros não podem?", disse a estudante Rosario Flores, 23, que se define como "católica não praticante".
Explicações
Na tarde da quarta-feira passada o motorista Francisco Gomez Aguilar teve que dar explicações aos manifestantes cristãos para deixar de ouvir reclamações no ponto da catedral.
Explicando que também é católico, o motorista disse que não queria dirigir o ônibus com a propaganda que nega a existência de Deus, mas foi obrigado pela empresa.
"Pedi para mudar de turno para não pegar este veículo,
mas não me deixaram. Se fosse por mim, estaria proibido", disse
Francisco, completando à BBC Brasil que em uma das viagens alguns
passageiros evangélicos distribuíram cartões com a
pergunta: "se você morrer esta noite onde passará a eternidade?".
A chamada guerra dos ônibus surgiu depois que a União de Ateus
e Livres Pensadores da Espanha iniciou a campanha no país, inspirando-se
no exemplo da propaganda britânica.
Os anúncios em duas linhas municipais em Madri custaram 4 mil euros (cerca de R$ 12 mil), mas a União prevê aumentar a campanha em mais cidades e já arrecadou mais de 30 mil euros (aproximadamente R$ 90 mil) por meio de doações.
Em janeiro chegaram os ônibus cristãos. Financiados pela organização
católica E-Christians e pela evangélica Centro Cristão
de Reunião, foram alugados espaços em três linhas municipais
da capital espanhola.
Ao contrário dos manifestantes, ambas as instituições
acreditam que não há ofensa, apenas rivalidade. "Todos
podem expressar livremente suas opiniões. Nós também.
Respeitamos a todo mundo opiniões, ideias e crenças. Eles
usaram uma plataforma pública e nós também, só
que para comunicar ao mundo que a única vida plena é a que
segue a Jesus Cristo", disse à BBC Brasil o porta-voz do Centro
Cristão de Reunião, Francisco Rubiales.
Sem ofensa
A União de Ateus respondeu à BBC Brasil apenas que "a campanha não é ofensiva, foi aprovada pelo Comitê de Controle da Publicidade dos Municípios Espanhóis" e continuará em Madri, Barcelona, Málaga e La Coruña.
Já a Conferência Episcopal Espanhola, que não participa da campanha nos ônibus, acha que há blasfêmia e que o governo deveria intervir.
Segundo o comunicado oficial emitido no dia 24 de janeiro, "insinuar que Deus é uma invenção e que não deixa as pessoas desfrutarem da vida é uma blasfêmia e uma ofensa aos que acreditam".
A nota recomenda aos católicos "respeitar o direito de expressão
de todos" e "às autoridades competentes tutelar o exercício
pleno do direito de liberdade religiosa". Em outras cidades europeias
como Valencia, Zaragoza, Roma e Milão, os ônibus ateus não
foram aprovados pelos governos locais.
Fonte: Portas Abertas
Autor: Assessoria de Comunicação da Igreja Batista Emanuel
- diego.gerhardt@hotmail.com